de uns tantos meus escritos
que quando releio elevam-me a alma a tempos findos
de doces - ou por vezes menos mansas - recordações da curta vida da sombra que me seguiu, persistente, desde sempre,
a esconder-se da luz do mundo...
gosto de conhecer-me sempre nestes versos, relembrar-me a amizade própria
através de pensamentos claros
por não tantas e não tão claras linhas
e deleitar-me em [re]impressões de mim mesma, toda aberta, toda eu,
num encontrar-me ao fim de um não acabar-me mais em surpresa
em saber-me nova a cada retomada do antes conhecido curtíssimo passado...
Pois sim, que assim me vejo
ora repousada em usado assento, ora vestida de inebriantes quereres
gozando de bons e maus momentos,
rindo-me da aspereza da vida ou chorando a maciez da boa sorte,
e ao sorrir, cantando suave ode
à quimera que dança por terras a mim internas -
lá, onde sussurrantes leões, a leveza alada de força bruta e prima,
o pecado original que é o pensar, o pensar sem se dar conta e por ele voar,
miram o descampado, selvagem alma virgem -
e assim me castigam:
com harmoniosa prece hipnótica,
metamorfizando-me em essência de sempre mutável espírito jovem e inexperiente...
Sabe,
gosto muito daqui, deste lugar que me abriga por carne
- por mais que minha vaidade necessite-lhe uns tantos reparos...
E, se bem reparo,
vejo que hoje já não sou tanto aquela casinha miúda,
singelas folhas sobre gravetos empilhadas,
frágil ao menor vento
e sim
um certo projeto de casa,
um tantinho mais firme e um tantinho mais cálida
mais palpável às incertezas da vida,
e mais receptiva à conjugação do nada:
nada que eu
um dia
não possa lutar por ser.

Um comentário:
Querida Maria:
Lindas palavras...é no nada que tudo surge. Somente no nada poderemos encontrar o que aspiramos verdadeiramente SER.
Parabéns!
Bj,
Marcello, Bete e J. Luiz.
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