terça-feira, 28 de setembro de 2010

pausa para a política.

...fatos pré e certezas pós-eleições. Escrevi o texto ontem, mas não tive tempo de redigi-lo.
para mais informações úteis sobre o governo Lula, http://www.vicentinho1390.com.br/?p=180
Bem, aí vai...


Adeus, Guernica!

Me entristece saber do que são capazes os [políticos] corruptos para tentar quebrar a dignidade de seus oponentes com distorções e apelativíssimas mentiras a seu respeito. Me entristece ver isso na prática, na mídia hoje desfigurada e absolutamente parcial em sua imensa maioria. Me entristece muito ver o efeito dessa praga [carinhosamente apelidada de PIG] na forma de um discurso sem base, desesperadamente flutuante, e perigosamente volátil, pronto a se misturar à respiração de algum desavisado...
Ainda hoje muita gente é atingida por esse veneno, e ainda hoje muita gente não percebe; ou porque assim ensinou papá, ou porque de outra forma - qualquer que fosse - ninguém ensinou de fato o pensar político socialmente consciente.
De todos os modos, o problema ainda insiste, principalmente entre as classes que menos estão dispostas a mudar seu cômodo estilo de vida contemplado pelas políticas burguesas e elitistas. Este é, realmente, o maior dos males, pois da gritante diferenciação que se faz entre classes, nascem e se reproduzem as mazelas sociais - econômicas e culturais - em detrimento de aproximadamente 70% da população brasileira.
Os tempos, porém, felizmente estão mudando. Políticas sociais, implantadas graças à conquista da voz por aqueles que fazem parte e conhecem as necessidades do povo brasileiro, são práticas crescentes; "nunca na história deste país" a economia interna abrangeu e incluiu tantas pessoas - 32 mi elevados à classe C e 28 mi retirados da miséria, em menos de 7 anos de luta. A educação, ainda que longe de estar em níveis exemplares, foi promovida através de programas de inclusão socio-educacional, como o inclusp e o pro-uni, e da criação de mais de 200 escolas técnicas; os postos de saúde se multiplicaram; a provisão de água e energia elétrica às áreas rurais foi providenciada; a economia agropecuária só fez crescer no Brasil e expandiu-se no exterior; e hoje nós somos o 1º país em geração de energia limpa do mundo.
A população, de um modo geral, tem sentido a mudança - pois esta se dá em sua maioria nos meios sociais mais carentes e se faz firme, não por promessas por cumprimento de promessas - as de uma vida cada vez mais digna para cada cidadão brasileiro.
Está claro que o quadro mudou, e mudou para melhor; se antes o cotidiano, tanto urbano quanto rural, era pintado de modo difuso, disforme, destoante, dolorido, hoje já nos é possível enxergar - para quem permitir-se abrir os olhos - o braço e a mão (não mais decepados e jogados ao chão); a espada (não mais partida, e ainda firme em punho); e a flor - inteira, brilhante, cada dia mais viva, com um pulsar que nos confia a certeza de um amanhã muito mais grandioso do que o hoje: um sonho possível, finalmente se transformando em realidade.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

[i]lógica monotonia maquinal

estagnada.
os dedos prostrados, imóveis
absolutamente desmotivados sobre o teclado.
meus olhos olham e nada vêem...
nada, mesmo.
só percebem manchas sombreadas,
as teclas saltando em sua tridimensionalidade seca e cotidiana...
paro.
paro.
observo calada.
paro.
penso? tento pensar
mas não sei se o consigo realmente. acho que a isso chamam de escrita automática, aquela
que não necessita de vontade ou de ideias...
força sem impulso. pulso. som.
tec
tec
tec tec tec tec tec tec tec
ad aeternum
ah, o repetido desprazer do tato
entre meus dedos e o opaco monstro tecnológico enraizado em tomadas e redes elétricas,
prisão-liberdade que é a comunicação virtual...
paro.
penso.
reflito.
um botão no rodapé da página:
e mais um update em meu cérebro digital...

sábado, 18 de setembro de 2010

my half-self inner struggles

from the following, some thinking and no acting; my loneliness divided in miserable and loving moments.


sometimes i'd just rather not think of a thing than having this bipolar humored mind with its unstable bleeding poetry that kills me slow and nice...

sometimes
i'd just be happy to be alive
and in no psychological pain and confusion...
to be in peace, away fom my inner chaos
confessions of illusions i'd never really had to have to know they weren't true
or at least not more than i myself try to be.
the useless fight against an invisible martyr -
for my own self,
useless but indispensable.
why, world, why
[or who else should i ask for if He, your beautiful but sleeping god, seems to have forgotten His own Laws of respecting and keeping life - or at least creating non-selfdestructive ones]
why, i ask you
am i tied up like this,
bleeding from the outside to the inside
helplessly trying to fix the inside
and spoiling both sides
'till there's no flesh and no bones left intact for the line of Life to tie them up together?
for in my feelings, in my love
i can't measure myself and can't be myself the right way
and if thus i can't be one
or half one for some half one else, dare i to think
i'll never know pure happiness, even though every day i experiment a little of its taste
in my eager mouth of wet solitude
and see a little of it in my playful eyes' memories...
i too have my moments of joy and repouse
i too am desirving of that much.
i learned in the hardest of ways how to love myself and am still trying to figure
how to do it properly...
what i haven't learned is
how to forgive my silly mind as it plays with my inner safety
for when she's gone, no matter for how long
my heart doesn't fit me:
i'm never complete.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

random meanings of not-things

You ask me who I am. [Or you don't, but let's suppose you do].
Well, no surprise I can't answer you that. Not in an objective way.
But here is something that could - forgive me the term - define someone; a question you should ask yourself.
"Each day gone one day less or still so many to come?"
It really depends on your aims and that shows a lot about you. Or at least that's how it looks to me.
Ask a young, passionate lover. Ask me, if it helps. Today I would certainly give you the first option as the answer. My aims are months away from me, so to speak. They're slowly coming, though, slow and ever, each day closer. They're still distant from me, but each time I look they're more distant from the horizon which they once were to be part of. We're moving towards each other.
Now ask a pessimist being. He or she would probably give you the second option, in a low, moaning voice. Wouldn't they?
Maybe. Or maybe not. And maybe even I would give you both answers because I can't find myself a better definition than a non-definition of what I feel. What's my point, you ask? Oh, well, that's a good question I've been doing too.

I guess the thing is..
You have to pay attention to the details, that's the secret, that's the beauty of the story. Pay attention to the tiniest of all details. That makes all the difference on the within. It doesn't really matter how up to answer the question you are in that very moment, but what you make of your answer. So make it true. Even if the next minute you are someone else. Be true. Always. Be yourself and never give up on being yourself. Otherwise you'll be nothing at all.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

noite, 01/09/10

Dei-me uns instantes em frente ao velho espelho manchado que há em meu quarto; olhei para além daquele vidro empoeirado esperando ver o que costumo entender pela minha prórpia imagem, mas eis que me deparei com outro alguém - outro eu, praticamente uma criança, que me encarava fixamente, de modo estranho, com aqueles olhos vivos que as crianças tendem a ter... por algum motivo me inibiram e perdi a coragem e disposição de encará-los. Agora escuto quieta, ao pé do criado-mudo improvisado que me serve de apoio, o riscar insistente do grafite sobre o papel... sinto calor, e sinto que não é o tipo de calor que até tão pouco tempo (e tão pouco mesmo!) eu costumava sentir... estou em silêncio por fora e em silencioso rebuliço por dentro. E imagino que nunca tenha "autopsicografado" desta maneira... curiosa, esta vida. Muito curiosa...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

equilibrium

tudo perfeitamente bem:
absolutamente normal
e dentro dos devidos limites.
tudo
menos o fato de que eu,
inocente
incoerente
incabivelmente fora de mim mesma,
não tenho centro nem órbita
e tudo o que alucina
à deriva da sorte, à minha volta
mostra-se tanto por dentro quanto por fora, insistente
abrindo-se, desdobrando-se, partindo-se
mas num fora mais a um canto
e num dentro nem tanto
e eu
a tentar desvendar-lhes os risonhos mistérios
estico-me preguiçosamente
alheia às dimensões de meus vindouros eus
e procuro-lhes com as pontas dos dedos,
vasculhando o vasto e viscoso anti-vácuo de meus pensamentos inda não pensados.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

um dia mais perto.

roídos os móveis,
a ratoeira,
as roupas, as dores, os ruídos
roídos
os traços de qualquer coisa
qualquer coisa pouca
coisa timidamente homérica a ponto de cegar minhas esperanças
roídas as traças, as raças, feito tudo -
tudo a pó
a gorda ratazana que em minha mente dorme
ainda rói
onde doem as feridas
e deixa-me espaço para pensar mais alto, mais livre
mais longe
longe, tão longe
em tão perto
espaço que aperto
tuas memórias em livros, discos, mimos
e qual aprazível e doce sensação me invade ao chegar-me
junto, olhos cerrados,
todo esse pretérito perfeito [e ainda tão fresco]...
bem, bem.
roídos tantos buracos
alguns já me fazem respirar melhor
e por outros tantos vejo-te ao longe
algum dia mais perto
qualquer dia
dia próximo, dia esse
dia desses
este dia.