quarta-feira, 1 de setembro de 2010

um dia mais perto.

roídos os móveis,
a ratoeira,
as roupas, as dores, os ruídos
roídos
os traços de qualquer coisa
qualquer coisa pouca
coisa timidamente homérica a ponto de cegar minhas esperanças
roídas as traças, as raças, feito tudo -
tudo a pó
a gorda ratazana que em minha mente dorme
ainda rói
onde doem as feridas
e deixa-me espaço para pensar mais alto, mais livre
mais longe
longe, tão longe
em tão perto
espaço que aperto
tuas memórias em livros, discos, mimos
e qual aprazível e doce sensação me invade ao chegar-me
junto, olhos cerrados,
todo esse pretérito perfeito [e ainda tão fresco]...
bem, bem.
roídos tantos buracos
alguns já me fazem respirar melhor
e por outros tantos vejo-te ao longe
algum dia mais perto
qualquer dia
dia próximo, dia esse
dia desses
este dia.

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