seca-me a boca e a garganta essa distância
porque está tão frio, longe de lá
daí
de ti
que me pego contorcida entre lágrimas sem juízo de serem
e inutilmente me calo, em ânsia,
afogada pela mágoa que me aperta em nó,
e afogada em nó apertado na solidão de mágoa interior...
A culpa, te digo:
é de sorte e ironia feita
e com tal esmero me entalha na carne as privações que me faz de ti
que por pouco, às vezes, muito pouco não reconheço de mim -
escrava liberta, assim ainda de grilhões aos pulsos,
lavada pelas ondas bravias
da vida que se ri de todo e qualquer esforço do poeta ao tentar salvar-se do naufrágio...
ah, desencanto, fado cínico, se te pego!, ora
o que não faço eu de ti!
promessas não te fiz pois em mim trouxe sempre esperança [e trago ainda],
mas abusas de minhas fraquezas para, imperial, construir-te o forte...
O quanto me dói ainda não sei,
acho mesmo que nunca sinto o suficiente...
Mas valho-me do então.
E por cá agora lamento, murmuro por dentro
e canto a lábios cerrados a letra-música, charmosa e muda, que ainda de todo não aprendi
de um poeta que um dia
não quis mais ter saudades...

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