quinta-feira, 26 de agosto de 2010

sobre sentir e ser.

não sei sentir nada
sem ser eu mesma por inteiro o que sinto.
não conheço meios-termos:
ou sei,
e se sei, o sou por todos os poros
ou não sei,
e então posso até ter dúvidas [quantas!]
mas nunca meio-sou
ou meio-sei
ou meio-hei de s[ab]er [o que ser] algum dia.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Marília

oh, doce infortúnio de amar-te!
e ter-te por perto,
tão longe...
longe mundo, fado tratante!
se em mim te guardo, ainda
teu gosto pulsante me arrepia, me despe
meu sonho mais doce
sob a meiga forma de menina-mulher...
tão linda, tão frágil
tão certa em suas incertezas...
penso em ti
e preciso-te tanto
pesam em mim a distância e o tempo
a ânsia por ver-te,
envolver-te novamente em meus braços aflitos...
as páginas queridas do livro que me destes
exalam teu doce cheiro de flor -
memórias, tuas e delas apenas, que se recusam
a revelar-se a mim...
ah, luz minha, estrela-guia de meus olhos sedados
vem mais uma vez pousar tua face na minha,
que a saudade é grande,
quando resolve se fazer por companhia.





nota pessoal: não me importo com o que tais impressões possam vir a causar posteriormente a mim ou a outrem. São minhas verdades agora, verdades firmes e certas como é certa a luz do dia. E hei de viver um dia de cada vez: aproveitar-me do que sinto - pois o que sinto, sou; eis a beleza da vida.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

[pós, zero]

Ela tem o beijo mais doce
tem o gosto que as flores invejam e que as cores
não são capazes de pintar...
Minha menina com cheiro de primavera.
Tive um agosto a gosto de sonhos.
Mas ainda melhor,
porque foi real.



:)

[pós, um]

tenho fome da tua poesia
e sede do teu amor...
colore-me a alma,
que eu te dou o mundo.





...compreensivelmente inacabado, está claro. Estou em stand-by por tempo indefinido, entendam. Não me acho mais. Tive tantos medos, e ainda tenho. Tenho medo de estar certa, e acho que estou... acho que estou certa de que a amo. Doce infortúnio! E tenho tantos outros mais... medo de falhas minhas, medo de perdê-la com o tempo e a distância (física, sim, e que distância!), medo de não ser boa o suficiente, de não ser quem ela precisa, de não ter aproveitado bem o tempo de sê-lo quando tive chance... A insegurança, a dúvida, o fraquejar das pernas diante do almejado.
Mas perdôo-me, sou tão inexperiente. Sou jovem, uma criança em corpo de moça. O que hei eu de fazer? O que saber? (se é que alguém algum dia soube entender-se nesse mundo-cão que é o nosso amargo âmago em face do amor)...
É. Acho que agora só o tempo dirá. E, bem, o que tiver de ser, será... não é?

terça-feira, 17 de agosto de 2010

sem título, já que nada se encaixa.

basta, preciso me conter;
mais um descuido e explodo.
uma pausa aos suspiros,
senão pereço.
o mal que me acomete já não é o mesmo de antes -
é quase que feito de carne e osso,
um sonho relutante em ser sonhado
e ao mesmo tempo um pedinte desesperado -
artista de rua
à rua fadado
procurando em mim seu público...
não, não.
o que preciso, creio
é mais espaço
espaço
para me ver inteira, acalmar
a veia que me salta fora
violenta
como que buscando ar
afobada em sua ânsia à menor menção de um nome (o dela)...
o pequeno mundo que ali se firma para garantir a continuidade do (m)eu,
rijo, latente, surpreendentemente vivo,
rebela-se contra qualquer outro toque, tão perdido está em si mesmo...
e continua: faz-se por outros caminhos se preciso lhe for
para enfim afogar-me em seu naufrágio premeditado -
essa secura que é a distância
que separa o eu de nós duas.

sábado, 14 de agosto de 2010

sonhando acordada, de novo.

não consigo mais
me concentrar em nada
nem dormir - ontem mesmo tive insônia...
fico ouvindo toda a infeliz sorte
de músicas melosas
passo meu tempo no amanhã,
dançando sozinha, ou comigo mesma...
durmo, acordo, e todo o resto
é puramente mecânico;
tudo menos o sorriso
que se desenha involuntário em meus lábios
quando penso nela.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

situação.

não sei mais se grito de alegria porque tenho tanta sorte,
ou se grito de frustração por ter tanto azar...
acho que prefiro a primeira opção. :)