quarta-feira, 21 de abril de 2010

devaneios passados ainda presentes

[antes de mais nada, poetizando com o título...]

devaneios
passados
ainda
presentes


[ps: como odiei a forma do verbo com zê, passo à irreverência de poetisar com ésse. Minha auto-licença poética.]

Nota: resgatar notas, memórias vivas de lapsos de consciência - interna e externa a mim mesma - subitamente mostrou-se uma tarefa interessante... além de ser uma forma de autoanálise [é assim que se escreve, agora? pro inferno com isso!]... bem, vamos a mais...




Ocasionais explosões internas, paixões inesperadas, o perfume de pétalas de flores inexistentes... a exploração dos próprios limites é quase que tímida, a respiração silenciosa, a alma de minha alma busca fôlego para mais um último mergulho no lago quieto, escuro, da imensidão infinitamente inexpressiva que se esconde por trás da verdade em meus olhos velados...

[16/11/09]



...e se a hora de agir, mudar, sentir, vier-me isenta de dor, ainda ela
ou antes eu
não estarei pronta a passar por tanto...
a vida há, sim, de me ensinar a vivê-la; mas sou eu quem vai trilhar as possibilidades de seus caminhos -
como, quando e por onde o acaso vier me encontrar...

[17/11/09]


porque a parte mais terrível da vida é aquela em que a gente percebe o que está de verdade acontecendo...

[novembro de 2009]


[alma pintada]

o sol se põe e nos deixa à deriva; na escuridão. Pode-se aguentar, mas até que ponto? Belíssimas sombras, cadentes lumes as projetam no vertiginoso abismo da alma tranquila... serenos seremos; ser-e-nos; nossos próprios quadros pintados com sangue de outras vidas... tudo, assim, retratado em insuportáveis tons de lápis sanguínea.

[novembro de 2009]


eu, fruto de mim mesma
sorvendo o néctar puro,
as sensações, intocáveis pelos dedos,
apenas compreendidas pela alma...

[novembro de 2009]


Mas se tantos fragmentos saltam, escapam-me das mãos, pelas pontas formigantes dos dedos... se então eles se tornam livres, fortes por si só, o que há de ser de mim? Serei a origem das ideias, que se desprendem impiedosamente, abandonam-me; a vida vivida por outras, a materialização e condensação de pensamentos, conectados a mim por um tênue fio de luz...

[novembro de 2009]


talvez-oração

fazer valer tudo o que valer ser feito. Fazer valer o tempo. O tempo. Saber tomar as próprias rédeas, não recear em sujar as mãos de tinta, poetisar em toda e qualquer forma de arte - a linguagem da alma... abrir as portas e janelas, aerar-se, flutuar... voe. Voe, alto, mais alto, sonhe, crie... ame, porque o amor é o mais forte de todos os sentimentos, sendo feito de todos.

[novembro de 2009]

2 comentários:

Lótus disse...

Uma altoanálise a altura de quem está sendo analisada. Que bonito.

Maria Cordeiro disse...

Ah, que linda. Obrigada, quase-xará. :]