em meus olhos não guardo o que vejo - guardo o que sinto quando vejo. Todas as emoções, todas elas as choro ou as rio com meus olhos... não; o que vejo, deixo em minha mente, e a partir dela isso se espalha - sinto por ela e além. [e] sinto na pele o que meus olhos não foram capazes de guardar...
[março/2010]
as palavras não me vêm... me pergunto se há algo de errado comigo, ou se é com elas... confabulam entre si, sabem de minha ânsia por elas, mas não se rendem jamais. Ao menos por agora. E eu, que com elas tinha tanta intimidade, vislumbro-as agora como que arrastadas, levadas por uma maré de esquecimento; ou, como a mais fina areia, esvaindo-se por entre meus dedos trêmulos e voando pela escuridão, deserto e noite adentro... Ai, palavras, palavras mudas, palavras minhas, amigas queridas! Por quanto tempo ainda terei eu de suportar sua ausência? Minhas mãos as esperam com impaciência, a tinta fresca deseja selvagem impregnar-se na convidativa folha de papel, já maculada por tantos outros fragmentos antes pensados... E por mais que tenha eu tentado aqui manifestar-vos, só encontro murmúrios surdos diante de mim; o silêncio da espera... o úmido e abafado desejo de, com um último esforço, dar à luz a luz das vivas palavras, portadoras da voz da liberdade.
[25/03/10]

Nenhum comentário:
Postar um comentário