terça-feira, 27 de julho de 2010

doce pedaço de inteira poesia

Ah!, que saudades da minha ainda fresca infância
dos abraços, das risadas
dos amigos sempre ao lado,
das brincadeiras, dos choros, das vergonhas de sentar perto
dos namoricos, de brincadeira
ou de verdade [sempre brincando...]
saudade daquele tempo
[tão distante agora me parece, ainda que não esteja]
em que a gente brincava de irmão sem saber
se escondia quando era hora de dizer adeus,
porque sabia que qualquer instante longe nos pareceria
uma eternidade de criança...
a gente era filhote
de gente
a gente
era bicho de todas as cores e todos os jeitos
a gente corria tão rápido, que era capaz de sair voando
e às vezes a gente voava mesmo. Era como num sonho, só que melhor
porque era de verdade.
E não se via o tempo, não se via nada...
se chovesse,
então chovia e pronto:
mais um motivo pra aproveitar o chocolate quente da mãe do irmão de alma, que era também a nossa própria mãe - e ainda é.
Nas brincadeiras de rei, de rainha,
matávamos dragões, comandávamos batalhões
éramos heróis mais ferozes que leões e mais justos que qualquer deus inventado pelo Homem -
porque nós inventávamos que éramos infinitos
e assim escritos
fitávamos a tudo com aquele olhar de quem sabe tudo e não diz nada, que é pra manter o segredo...
Oh, pequenas luzes que éramos nós - pequenos pontos de alegria radiante!
Crescemos mais um tanto, não nos lembramos mais
do que é gargalhar a troco de nada,
correr, pular, troçar
trocar
o primeiro beijo de melhor amigo do mundo, que é nosso namorado secreto... era a coisa mais bonita do mundo...
E agora...
Agora só nos resta lembrar
e sorrir com aquele sorriso saudoso,
aquele quase imperceptível, que só quem nos conhece lá do fundo sabe reconhecer...
E, como uma lágrima que nos aperta inteiros antes de se soltar pela imensidão seca da vida,
ao abrir meus olhos eu agradeço à boa sorte de ter vivido tantas maravilhas
com tantas pessoas maravilhosas.



para Roberto de Medeiros Ribeiro, irmão de alma de todas as horas

e aos outros poucos e lindos amigos que guardo comigo no peito.

2 comentários:

Luísa disse...

Ahhhh, má que coisa liiinda, sua chapeleira *-*

Maria Cordeiro disse...

tava me segurando, quase pulando de dentro da minha própria garganta, ao final do texto-poesia... :)